abril 2014

Sinto-me superior.
Sinto-me inferior por sentir-me superior.
Sinto-me superior por sentir-me inferior ao sentir-me superior.

Ad nauseam...

Hei, hei
Meu Eu é andrógyno
O meu corpo qu'é gay

Para quem morreu no dia em que nasci

Toda Unidade é.
E - quem sabe? - todos nós passaremos por todas as unidades.
Em minha próxima encarnação quero nascer um protozoário
Ou um conto de Clarice.

Somos da geração das iniciações sem guias palpáveis
Somos descobridores do novo palimpsesto
Primeira pele, antes do próprio couro
Mensagens feitas de vento
gravadas a fogo
Nas camadas leves
do próprio tempo.

Se soubesses do pranto encolhido que em mim se aprofunda e mais se encolhe...
Se soubesses de que silêncios inócuos são preenchidos estes prantos...
Se soubesses das vibrações tortuosas que reverberam nestes silêncios...
Se soubesses...
gritarias!
E teu grito daria prumo e retidão às minhas ondas de loucura
E tua voz cuja amargura me corrói as entranhas daria vida a este silêncio morto
E juntos retumbaríamos
Nossas vozes dissonantes.



Primeiro, o divino surto: transe.
Segundo, a bênção no centro das árvores: clareira.
Terceiro, o aconchego no emaranhado dos arbustos: útero.
Quarto: o primeiro, o segundo e o terceiro.

Então, disse o menino às senhoras tricoteiras:

" - Não é qu'eu goste da sujeira,
É qu'as coisas pingam e suam
Enquanto vôo e vivo!"