E eu que, ingenuamente, achei que o outro
Fosse, de fato, o outro
Sorrio com uma boca que se movimenta num ângulo ambíguo:
Nem riso, nem choro
Uma outra boca que antes não era a minha
E agora pertence ao outro
Que por ser tão estranho e estrangeiro
Agrada-me, além da boca, os olhos
E quando penso em observar-lhe melhor as suas coisas
Percebo-me já invadido e tomado por todos os sentidos
Assim, o que olho é apenas o que era antigo
Apenas as folhas do outono caindo
E não mais o que julguei ser pele se esvaindo
Como sebo derretido.
Casa 12 ou Éter Esquartejado
Era uma casa
Muito fechada
Continha o Tudo,
Continha o Nada
Nem todo o mundo
Entrava, não
Porque era misteriosa
Como um vulcão
Se alguém
Entendeu a Rede
É porque na casa
Um dia esteve
E aquele que
Descobriu o π
Com certeza,
Já esteve ali
Mas era feita
De prata e ouro
Nela escondiam-se
Muitos tesouros
Mas era feita
De ferro e bronze
Na rua do Louco,
Número 12