dezembro 2012

E eu que, ingenuamente, achei que o outro
Fosse, de fato, o outro
Sorrio com uma boca que se movimenta num ângulo ambíguo:
Nem riso, nem choro
Uma outra boca que antes não era a minha
E agora pertence ao outro
Que por ser tão estranho e estrangeiro
Agrada-me, além da boca, os olhos
E quando penso em observar-lhe melhor as suas coisas
Percebo-me já invadido e tomado por todos os sentidos
Assim, o que olho é apenas o que era antigo
Apenas as folhas do outono caindo
E não mais o que julguei ser pele se esvaindo
Como sebo derretido.



"Água de Lastro"
 é, 
de certa forma, 
quando...
 a Água 
vira 
Pedra
!

Primeiro, você assimila a ideia
rumina, rumina, rumina
Depois:
Ploc!
Eis que você descobre
Ter sido influenciado por aquele autor
Do qual nada tinhas escutado!

         Então, ele - minúsculo Ponto Cego no meio daquelas duas Montanhas que, xifópagas na sua frente, eclipsavam a sua Luz - disse com voz embargada, de uma força que não reconhecia ser sua:


        - "É que... É que sou afelinado!!!

         Rachaduras e Lava cobriram o Céu de Neon.