E eu que, ingenuamente, achei que o outro
Fosse, de fato, o outro
Sorrio com uma boca que se movimenta num ângulo ambíguo:
Nem riso, nem choro
Uma outra boca que antes não era a minha
E agora pertence ao outro
Que por ser tão estranho e estrangeiro
Agrada-me, além da boca, os olhos
E quando penso em observar-lhe melhor as suas coisas
Percebo-me já invadido e tomado por todos os sentidos
Assim, o que olho é apenas o que era antigo
Apenas as folhas do outono caindo
E não mais o que julguei ser pele se esvaindo
Como sebo derretido.

O Outro