outubro 2013

"O bizarro só existe para mostrar que o apenas feio é bonito".

"As 
 formigaS 
 tamBém 
carregam  
pétaLas".



Quero ir contigo
Sem te encontrar
Transcender em transe
Em pleno trânsito
Das palavras congestionadas.
Estenda-me a tua mão
Que mais que tua é
Mãodala de múltiplos dedos
Cujo centro
O "M" de mundo está.


À beira de tornar-me balzaquiana
Transformo-me em bode
E não me preocupo nem com o avançar da idade
Muito menos com o nascer das guampas
Nunca me pensei fáunico, nem fálico
Se um dia em devaneios loucos tivera pensado em chifres
Estes teriam sido ousados, altivos, robustos
Não estas guampas baixas e de porte mediano
E se tivesse pensado em acessórios cabeçais
Talvez tivesse quisto uma auréola cínica
Embora esteja sozinho no meio da mata
Contento-me com a caudarabo de peixe
Que nasce escamosa entre meus pelos e carrapichos
Que me torna híbrido e me incita ao mar
E quando penso que o extraordinário finda
Eis que recolho meu arco e flecha
E relincho!


Como gritar se minhas pregas estão pregadas?
Como calar se meu silêncio é rouco?


A força que não devoto
A admirar a tua beleza
É a mesma que me embeautece
E me apetrecha
Assim, não me sugas
Oh, medusa de serpentes
Suaves e cacheadas
Oh, musa de sexo masculino
A quem vejo somente
Através de reflexos
Há muito que desisti
De esvair-me aos quatro cantos
Em tua busca cansável
Agora hei de segurar-me
Como um centauro às avessas
Com mãos e pernas livres
Mas com embocadura
E anteolhos na cabeça

Estou (ali e nado)?
         ― Distância ............e........... horizontalidade  ―
Não!
Estou aqui e mergulho:
Tempo

 e

 v
e
 r
 t
i
c
 a
l
i
d
a
 d
 e




Sensação do estranho virando do avesso
Um outro olhar sobre e sob as coisas
Uma percepção da própria percepção
Um chegar-se aconchegado num outro canto escuro
Mas não triste
Escuro porque sideral
Escuro porque se dá de olhos fechados
É nesse universo por onde percorro
Que encontro
O que há de recôndito em mim!