Casa 12 ou Éter Esquartejado
Era uma casa
Muito fechada
Continha o Tudo,
Continha o Nada
Nem todo o mundo
Entrava, não
Porque era misteriosa
Como um vulcão
Se alguém
Entendeu a Rede
É porque na casa
Um dia esteve
E aquele que
Descobriu o π
Com certeza,
Já esteve ali
Mas era feita
De prata e ouro
Nela escondiam-se
Muitos tesouros
Mas era feita
De ferro e bronze
Na rua do Louco,
Número 12
junho 2013
Palavra rude de tonalidade áspera
Sutil promessa em relevo branco.
Quando aponta dormente
encontra a ponta reversa,
Um ponto em pranto promete o fim
Máscara étonnante
Por fim, provocante
Tortas mãos mortas marcam a linha
Porcelana
Porta de prata que lacra cortante e atroz
O que está escondido no subsolo
Ela branca, pálida e de negro cabelo
Que esvoaça entre os olhos
Nua entre trapos cinzentos
Nua a peça escura e ranzinza
Vejo os dois lados
Vejo de cima e de baixo
Vejo os seus olhos verdes.
Deus é um menino
Que inventou de se criar
Por achar tão chatinho o não-Ser.
Fez-se em múltiplos
E jogou-se no mar do mundo
Depois de inventá-lo.
Seu divertimento, agora,
É olhar-se
É ver-se
Brincando de apostar corrida
E bater palmas para quem
Chegar primeiro
Tocar em sua própria mão
Piscar o olho
E entrar pra dentro de Deus
Enquanto outro Deus
Saído de si mesmo
Mergulha no mar de novo
E Deus ri quando se vê
Quando se vê vindo
Quando se vê sendo
E Deus chora
E Deus grita
E Deus aperta os dentes
E vocifera
E Deus dá a mão
E Deus quebra as regras
Do próprio jogo
Para ajudar a si próprio
A fazer-se acreditar
Que não é apenas Homem.
