Deus é um menino
Que inventou de se criar
Por achar tão chatinho o não-Ser.
Fez-se em múltiplos
E jogou-se no mar do mundo
Depois de inventá-lo.
Seu divertimento, agora,
É olhar-se
É ver-se
Brincando de apostar corrida
E bater palmas para quem
Chegar primeiro
Tocar em sua própria mão
Piscar o olho
E entrar pra dentro de Deus
Enquanto outro Deus
Saído de si mesmo
Mergulha no mar de novo
E Deus ri quando se vê
Quando se vê vindo
Quando se vê sendo
E Deus chora
E Deus grita
E Deus aperta os dentes
E vocifera
E Deus dá a mão
E Deus quebra as regras
Do próprio jogo
Para ajudar a si próprio
A fazer-se acreditar
Que não é apenas Homem.

Deus