Casa 12 ou Éter Esquartejado
Era uma casa
Muito fechada
Continha o Tudo,
Continha o Nada
Nem todo o mundo
Entrava, não
Porque era misteriosa
Como um vulcão
Se alguém
Entendeu a Rede
É porque na casa
Um dia esteve
E aquele que
Descobriu o π
Com certeza,
Já esteve ali
Mas era feita
De prata e ouro
Nela escondiam-se
Muitos tesouros
Mas era feita
De ferro e bronze
Na rua do Louco,
Número 12
junho 2012
Tenho medo de que te vás
E me deixes impuro
Neste mar de sentidos obtusos
Quero-te em mim
Como presença constante
Sem necessidade de subterfúgios
Sinto-me perdido sem ti
Sugado pelo cruzamento
Entre pensamento e imagem
Cruzamento sem intersecções
Onde habitas
Neste lugar nenhum
Em que tudo se dá
Fica comigo
Numa ida e volta menos longa
Não tentarei prendê-la
Com a ilusão do poder
Com a confusão do pensar
E...
Pois, não?