janeiro 2013

Quando tiveres um tempinho disponível, dê-me o Fogo, a Terra, a Água e o Ar de tua graça!

Para a Grande Rosa Masculina

Então achei tudo tão estranho. A gente entrou na casa esverdeada, toda colorida por dentro - e isto depois d'eu ter dado com o nariz de cara na porta, d'outra feita - e todos ficavam mais ou menos assim: te amando! Te olhavam e te amavam, te olhavam e te amavam... Assim, ahãm, assim mesmo! Estranho, né?!, neste mundo tão de sorriso falso e de olhacomosoumelhorquetu. Gozado, né?! Achei tão estranho o jeito dos olhos de querer bem deles.
Um deles até tinha uma coisa tão linda no olho, uma coisa assim tipo egípcio, tipo grego, tipo assim de traço exótico que vai além de minha ignorância arqueológica; hêia, hêia, hêia que a beleza era tanta e que de tanta beleza a gente olhava e até dava reflexo nos olhos. E se esse é janela, talvez caia luz em minhas gavetas trancadas. 
Depois até descobri que o bonito do olho do moço era inchaço do soco socado, acrescido de tombo caído. Nossa, pensei eu em minhas eternas caraminholas, se até de socozetombos te embelezas, imagina com os brincos, os colares, as cores e cocares dos xamãs, dos deuses, dos reis...
O outro tinha beleza que se vê de viés. A beleza do tipo espelhodelado. No começo se vê torto, sem foco... Depois, tchum, percebes os olhos de Águia. Coisa bela de se admirar escondido... Mas vez por outra ele me pegava olhando curioso e encantado, encanto de feitico mesmo. Eu olho, e olho no olho que olha outros olhos e analisa... Ahãm... Coisa linda este ser de pernas, colunas dóricas, jônicas, greco-romanas, coisa do passado, sabe, daquelas coisas que impressionam pela grandeza e soberba hercúleas.

Mas todos eles já moravam em colos de deusas... E eu só ficava na minha admiração quieta e esquivada, nibelungando o ouro dos seus corações.

O peso das pedras que carregamos em nossas costas é proporcional ao tamanho das asas que estão por nascer.





"O que passa pela língua, reverbera na alma!"

Que sejamos, agora, cada vez mais polenizadores
E cada vez menos polemizadores

Vórtex instrumentado de círculos concêntricos
 Tumulto de sons de atmosferas translúcidas 
Orgasmo de corpos totais 
Profundamente profunda 
Química de alma solar
 Repovoando o céu!

Cavaleiro do arco,
Guerreiro da Luz,
Homem da flecha em punho
In natura nasceste
Fruto de flor oriental
Rascunho traçado
A jato de tinta sagrado
do próprio molde final.

Agora estou pronto para ser devorado
Que me venham os amores
Que pululem em mim
Com seus olhos concupiscentes
Que desarticulem o meu corpo
De tal não-forma que me confunda
Com as Tuas divinas pernas
Agora sou só este buraco
Que se abre para fazer de mim infinito
Com meu grito
Levo minhas memórias digeridas
Até o centro de tuas múltiplas periferias
Alimento-te com o pouco de mim
E sugo-te:
Numa sucção voraz
Que me faz sentir não-ser
Com uma força tão brutal
Que me anestesia em silêncio
Penetrado pelo impenetrável.

Co8