Quando tiveres um tempinho disponível, dê-me o Fogo, a Terra, a Água e o Ar de tua graça!
Casa 12 ou Éter Esquartejado
Era uma casa
Muito fechada
Continha o Tudo,
Continha o Nada
Nem todo o mundo
Entrava, não
Porque era misteriosa
Como um vulcão
Se alguém
Entendeu a Rede
É porque na casa
Um dia esteve
E aquele que
Descobriu o π
Com certeza,
Já esteve ali
Mas era feita
De prata e ouro
Nela escondiam-se
Muitos tesouros
Mas era feita
De ferro e bronze
Na rua do Louco,
Número 12
janeiro 2013
Para a Grande Rosa Masculina
Então achei tudo tão estranho. A gente entrou na casa esverdeada, toda colorida por dentro - e isto depois d'eu ter dado com o nariz de cara na porta, d'outra feita - e todos ficavam mais ou menos assim: te amando! Te olhavam e te amavam, te olhavam e te amavam... Assim, ahãm, assim mesmo! Estranho, né?!, neste mundo tão de sorriso falso e de olhacomosoumelhorquetu. Gozado, né?! Achei tão estranho o jeito dos olhos de querer bem deles.
Um
deles até tinha uma coisa tão linda no olho, uma coisa assim tipo
egípcio, tipo grego, tipo assim de traço exótico que vai além de minha
ignorância arqueológica; hêia, hêia, hêia que a beleza era tanta e que
de tanta beleza a gente olhava e até dava reflexo nos olhos. E se esse é
janela, talvez caia luz em minhas gavetas trancadas.
Depois até descobri que o bonito do olho do moço era inchaço do soco socado, acrescido de tombo caído. Nossa, pensei eu em minhas eternas caraminholas, se até de socozetombos te embelezas, imagina com os brincos, os colares, as cores e cocares dos xamãs, dos deuses, dos reis...
Depois até descobri que o bonito do olho do moço era inchaço do soco socado, acrescido de tombo caído. Nossa, pensei eu em minhas eternas caraminholas, se até de socozetombos te embelezas, imagina com os brincos, os colares, as cores e cocares dos xamãs, dos deuses, dos reis...
O
outro tinha beleza que se vê de viés. A beleza do tipo espelhodelado.
No começo se vê torto, sem foco... Depois, tchum, percebes os olhos de
Águia. Coisa bela de se admirar escondido... Mas vez por outra ele me
pegava olhando curioso e encantado, encanto de feitico mesmo. Eu olho, e
olho no olho que olha outros olhos e analisa... Ahãm... Coisa linda
este ser de pernas, colunas dóricas, jônicas, greco-romanas, coisa do
passado, sabe, daquelas coisas que impressionam pela grandeza e soberba
hercúleas.
Mas todos eles já moravam em colos de deusas... E eu só ficava na minha admiração quieta e esquivada, nibelungando o ouro dos seus corações.
Agora estou pronto para ser devorado
Que me venham os amores
Que pululem em mim
Com seus olhos concupiscentes
Que desarticulem o meu corpo
De tal não-forma que me confunda
Com as Tuas divinas pernas
Agora sou só este buraco
Que se abre para fazer de mim infinito
Com meu grito
Levo minhas memórias digeridas
Até o centro de tuas múltiplas periferias
Alimento-te com o pouco de mim
E sugo-te:
Numa sucção voraz
Que me faz sentir não-ser
Com uma força tão brutal
Que me anestesia em silêncio
Penetrado pelo impenetrável.
