Casa 12 ou Éter Esquartejado
Era uma casa
Muito fechada
Continha o Tudo,
Continha o Nada
Nem todo o mundo
Entrava, não
Porque era misteriosa
Como um vulcão
Se alguém
Entendeu a Rede
É porque na casa
Um dia esteve
E aquele que
Descobriu o π
Com certeza,
Já esteve ali
Mas era feita
De prata e ouro
Nela escondiam-se
Muitos tesouros
Mas era feita
De ferro e bronze
Na rua do Louco,
Número 12
setembro 2011
Para cada linguagem, uma verdade específica.
A perspectiva histórica é tanto débil
Quanto é dura a sua cabeça em riste
Se ela acredita piamente
Que fora escrita por homens
Enquanto as mulheres
Cosiam e cozinhavam
Ficaria louca
Ao saber, que, na bem da verdade
- embora, verdade verdade só exista na Arte -
As donas e as doninhas
Azucrinavam os tolos
Se faziam de putas, de burras e de songas
Para engendrar esta verdade mentira:
De que seus corpos eram apenas corpos
E sua mente, uma vasilha vazia
E assim costuraram o mundo
Para que o Homem entrasse no eixo
E construísse a verdadeira perspectiva
Que não é histórica, nem científica
Porque não tem foco, nem linguagem.
Como é difícil manter-se fora do casulo!
Aonde estão as borboletas?
Pretensão a minha achar-me o único acasulado
Mas não sabia eu serem tantas as lagartas
A me batucarem a cabeça!
Digo ser eu a lagarta velha
Mas, loucas,
Elas, antes minhas colegas,
Jogam-me pedras
Por ser eu metida borboleta
De hoje em diante
Direi às burras
Que minhas asas são fantasias de carnaval
E que continuo sendo sempre
A sempre tonta lagarta
Assim poderei voar
Escondida
Na escuridão da lua cheia
Entre libélulas, joaninhas, vagalumes e louva-deuses!







