setembro 2011

﴿﴾



Gotas de sangue caem do Grande Cálice
Um sabor de culpa consentida
Vigor morto de uma glória em brindes de ser anunciada
Não mais dentes caninos devoram os brancos pescoços
Mas idéias tortas que se encaixam nas veias humanas
Em vias de putrefação
E sugam o sangue podre
Estalam a língua
E se prostram satisfeitas
Com as suas coisas fálicas
Já em ereção




﴿﴾


Para cada linguagem, uma verdade específica.
Portanto, discutir a verdade através da linguagem escrita
é discutir a linguagem DA verdade escrita.
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Cada vez mais a linguagem visual
apresenta o seu outro tipo de DISCURSO, dizendo outras coisas... fal@ndo de outras FORMAS.
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Pelo menos é o que eu vejo, pois tenho lido tão pouco ultimamente. Na verdade, acho que a linguagem visual não diz, só imagina... e contamina o verbo.











﴿﴾



A perspectiva histórica é tanto débil
Quanto é dura a sua cabeça em riste
Se ela acredita piamente
Que fora escrita por homens
Enquanto as mulheres
Cosiam e cozinhavam
Ficaria louca
Ao saber, que, na bem da verdade
- embora, verdade verdade só exista na Arte -
As donas e as doninhas
Azucrinavam os tolos
Se faziam de putas, de burras e de songas
Para engendrar esta verdade mentira:
De que seus corpos eram apenas corpos
E sua mente, uma vasilha vazia
E assim costuraram o mundo
Para que o Homem entrasse no eixo
E construísse a verdadeira perspectiva
Que não é histórica, nem científica
Porque não tem foco, nem linguagem.









﴿﴾






E quando percebeu que o Mal também era sagrado, escreveu sua primeira poesia na cela do cárcere”














o Bem-me-quer
e o Mal-também-me-quer 
o Bem-me-quer
e o Mal-também-me-quer 
o Bem-me-quer 
e o Mal-também-me-quer
o Bem-me-quer
e o Mal-também-me-quer 
.
.
.

E
A flor é de lótus
E tem mil pétalas 









Como é difícil manter-se fora do casulo!
Aonde estão as borboletas?
Pretensão a minha achar-me o único acasulado
Mas não sabia eu serem tantas as lagartas
A me batucarem a cabeça!
Digo ser eu a lagarta velha
Mas, loucas,
Elas, antes minhas colegas,
Jogam-me pedras
Por ser eu metida borboleta
De hoje em diante
Direi às burras
Que minhas asas são fantasias de carnaval
E que continuo sendo sempre
A sempre tonta lagarta
Assim poderei voar
Escondida
Na escuridão da lua cheia
Entre libélulas, joaninhas, vagalumes e louva-deuses!












Sublime seria
A Extrema Rendição
No encontro das Almas
Nos escombros da Multidão
Tão logo, a imagem surgisse
E as camadas do cosmos
Se abrissem
Suas bênçãos estendidas  virão
Espíritos da Luz,
Anjos, Arcanjos e
Pergaminhos da Escuridão
Vendados, Desvendados
Sublimes Verdades
do Arbítrio Divino
na Respiração








O silêncio
vivido
com olhos neutros
ou fechados
é a melhor maneira de travestir
a loucura de introspecção
e protegê-la
dos lábios ferinos da multidão.










"A poesia deve chegar lá onde a palavra quase explode."








ele (a): - Então é tudo mentira?
Ele (a): - Verdade!
ele (a): - E esta verdade agora?
Ele (a): - Mentira!
ele (a): - É tudo verdade ou mentira, afinal?
Ele (a): - No final é tudo começo!
ele (a): - Mas eu não perguntei isso!
Ele (a): - Verdade??
ele (a): - Verdade!!
Ele (a): - Mentira!