Como é difícil manter-se fora do casulo!
Aonde estão as borboletas?
Pretensão a minha achar-me o único acasulado
Mas não sabia eu serem tantas as lagartas
A me batucarem a cabeça!
Digo ser eu a lagarta velha
Mas, loucas,
Elas, antes minhas colegas,
Jogam-me pedras
Por ser eu metida borboleta
De hoje em diante
Direi às burras
Que minhas asas são fantasias de carnaval
E que continuo sendo sempre
A sempre tonta lagarta
Assim poderei voar
Escondida
Na escuridão da lua cheia
Entre libélulas, joaninhas, vagalumes e louva-deuses!
Casa 12 ou Éter Esquartejado
Era uma casa
Muito fechada
Continha o Tudo,
Continha o Nada
Nem todo o mundo
Entrava, não
Porque era misteriosa
Como um vulcão
Se alguém
Entendeu a Rede
É porque na casa
Um dia esteve
E aquele que
Descobriu o π
Com certeza,
Já esteve ali
Mas era feita
De prata e ouro
Nela escondiam-se
Muitos tesouros
Mas era feita
De ferro e bronze
Na rua do Louco,
Número 12
