2012

E eu que, ingenuamente, achei que o outro
Fosse, de fato, o outro
Sorrio com uma boca que se movimenta num ângulo ambíguo:
Nem riso, nem choro
Uma outra boca que antes não era a minha
E agora pertence ao outro
Que por ser tão estranho e estrangeiro
Agrada-me, além da boca, os olhos
E quando penso em observar-lhe melhor as suas coisas
Percebo-me já invadido e tomado por todos os sentidos
Assim, o que olho é apenas o que era antigo
Apenas as folhas do outono caindo
E não mais o que julguei ser pele se esvaindo
Como sebo derretido.



"Água de Lastro"
 é, 
de certa forma, 
quando...
 a Água 
vira 
Pedra
!

Primeiro, você assimila a ideia
rumina, rumina, rumina
Depois:
Ploc!
Eis que você descobre
Ter sido influenciado por aquele autor
Do qual nada tinhas escutado!

         Então, ele - minúsculo Ponto Cego no meio daquelas duas Montanhas que, xifópagas na sua frente, eclipsavam a sua Luz - disse com voz embargada, de uma força que não reconhecia ser sua:


        - "É que... É que sou afelinado!!!

         Rachaduras e Lava cobriram o Céu de Neon.


Das cinzas surge
a dádiva resplandecente
Das trevas
brota o broto eclesiástico
Captação Exclusiva
da Máquina Inimaginável
O Puro Êxtase
do Devir fantástico
Faz-se em Face
da Máscara de Escravo
e de Mascate.



Algum poeta já agradeceu à coisa?
Alguma coisa já rimou com coisa
Que não seja a cara torta
Que acompanha a palavra coisa
Quando chamamos qualquer coisa de c o i s a!?
Oh, coisinha, que coisa feia!
Vou falar pra Coisa te tomar a coisa
E aí verás como a coisa ficará preta!
E não adiantará fazer qualquer coisa
Porque estarás preso por palavras fixas
Sem a liquidez da palavra coisa
Que desenferruja a linguagem
E a comunica.





e
u
s

a
b
a
l
o
s

são
quase sempre

s
í
s
.
.
.
m
i
c
o
s

!


EmboRa
todos Os PÂNtanos
sejaM
fantasmAGóricos
dia & noite,
tODas as florestas
 à nOIte
assumEm
aRes   pantanais.

Os que olham de baixo dizem:
«Aonde ele pensa que vai?»
Os que olham de cima dizem:
«De onde ele pensa que vem?»
Os que olham no mesmo ângulo
não dizem nada,
pois estão só se divertindo!

A pRé-história
e
a
hisria 
são
apenas pré-textos
(paNo dE funDo?)
para O texto
cujo 
personagem principal, 
primevo 
&
Primitivo
é cada um 
dE
nóS
dentro 
de suA
prÓpria
hisTória. 



Tenho medo de que te vás
E me deixes impuro
Neste mar de sentidos obtusos
Quero-te em mim
Como presença constante
Sem necessidade de subterfúgios
Sinto-me perdido sem ti
Sugado pelo cruzamento
Entre pensamento e imagem
Cruzamento sem intersecções
Onde habitas
Neste lugar nenhum
Em que tudo se dá
Fica comigo
Numa ida e volta menos longa
Não tentarei prendê-la
Com a ilusão do poder
Com a confusão do pensar
E...

Pois, não?

Para Gabriel

Depois do extenso,
Agora,
O sintético
Admirável Mundo Novo
De anjos dos céus...
Dos mitos, dos ritos, dos gritos
Surgem pelos cantos
Flores de anis
De bálsamos fantásticos
De tríades bombásticas
De luas e astros
Asteroides
Planetoides
Galáxias completas
Dançam na Ogiva dos Céus!






Eusou . . . 
xifópago . . 
demimmesmo.






.

Nãocriação na opressão.
Ninguém cria nada com muitos nãos!





















Sublime seria
A Extrema Rendição
No encontro das Almas
Nos escombros da Multidão
Tão logo, a imagem surgisse
E as camadas do cosmos
Se abrissem
Suas bênçãos estendidas  virão
Espíritos da Luz,
Anjos, Arcanjos e
Pergaminhos da Escuridão
Vendados, Desvendados
Sublimes Verdades
do Arbítrio Divino
na Respiração



 

Gostaria que me fosses,

para saber o que farias

de mim,

com aquilo que sou.