.
.
.
.
.
.
Amo-te agora
Por pensá-lo no futuro
Amo-te em teu auto-esquecimento,
E por sabê-lo
Perdoo quando de mim nada sabes
Amo-te pelo que és!
E por saber que não te sabes
Perdoo-te por não me amares
Por não saber o que de mim é tão teu
Enquanto já sei
O quanto de ti me faz parte!
.
.
.
.
.
.
.
.
Casa 12 ou Éter Esquartejado
Era uma casa
Muito fechada
Continha o Tudo,
Continha o Nada
Nem todo o mundo
Entrava, não
Porque era misteriosa
Como um vulcão
Se alguém
Entendeu a Rede
É porque na casa
Um dia esteve
E aquele que
Descobriu o π
Com certeza,
Já esteve ali
Mas era feita
De prata e ouro
Nela escondiam-se
Muitos tesouros
Mas era feita
De ferro e bronze
Na rua do Louco,
Número 12
abril 2013
Se no encanto do chegar
Me fossem dadas escolhas
Escolheria o oco na multidão
O canto protegido no meio do mundo
Onde vislumbrasse os movimentos
E que a casca de meu ovo
Fosse apenas quebrada
Quando um sorriso surgisse
Inesperado do Outro
E juntos escolheríamos
O perder-se na turbina que gira
Ou o condensar-se no vácuo do claustro.
Algumas coisas são perdidas,
No mato esquecidas...
Voo... não, não voo mais...
fizeram cair o meu chapéu
Ai, ai, ai dói em mim
fizeram-me perder
o chapéu
Parei de escrever:
Minha sombra disse que o que escrevo é tão ruim
Ela me faz parar
Ela me faz surgir
A sombra me guia
A sombra me dá água
A sombra me diz...
A arte está aí
Espera um pouquinho
Espera o tempo parar
Me ajude
Me liberte
Me faça parar de julgar
Me tira do coração a dor de amar
Me liberte da tristeza
Me dessufoque
eu não sei escrever
sou só uma ameba em vias de crepuscular
O Amor Verdadeiro é aquele que diz:
Vem, aqui o mundo é fantástico!
Larga o tédio de tua vida
E corre
Como flecha de índio guerreiro
Abre todas as portas que estiverem a tua frente
Abre, empurra, chuta, arrebenta
Uma atrás da outra
Como se não houvesse limites
Como se não houvesse fechaduras
Como se porta fosse asa
E vem
Não importa a ausência de grana
Não importa as contas que ficam
Não importam os lamentos daqueles que choram
Corre como lebre
E corre como onça
Atrás da lebre que corre
Esqueça da rima de teus poemas
Esqueça das mortes de tuas histórias
E vem
Repita os versos
Repita os sons
Recolhe de tuas caixas
Apenas o necessário
Apenas aquilo que cubra a tua jornada
E vem
E pulsa mais rápido que puderes
E apenas abanes àqueles que te cruzarem
E apenas avises aqueles que o tempo deixar
E vem e corre e vem e corre
Pois meu coração só te espera
Para explodirmos o mundo de felicidade
Para gozarmos em cada canto do planeta
Para dormirmos nos chãos de todos os países
E amarmos, juntos, cada amigo encontrado
Nesta caminhada de amor
E encontro!
E não temas o que dirão
Pois que a todos
O sonho do Amor Verdadeiro
É a pedra mais pura
A jóia mais rara
A palavra mais gasta
Que dá sentido
Ao caminho caminhado triste
No meio da multidão