2011






Quando acho que ser amigo é ser assim-e-assim
Sempre chega outro e me faz perceber
Que a Amizade o tem fim.

Quando acho que ter amigos é assim-e-assado
Sempre chega outro e me faz perceber
Que eu estava errado.

Quando acho que ter amigos é algo profundo
Sempre chega outro e me faz perceber
Que ter amigos
É a melhor coisa do Mundo.










Em


       meus sonhos  


           LeiO          
                                                             meu                                                                                       
 tutorial.  












É preciso que tudo seja destruído
Corrompido
Desestruturado
Até atingir as vésperas da ignomínia
Ainda ungida de verdade sã
Para que as verdadeiras forças
Façam cócegas
E te engolfem no rodamoinho do mundo
Só o prazer vindo do brincar de Seus dedos
Em teu ser
Antes mesmo da corrida
Em câmera lenta
Já valeria o esforço
De toda a dor despendida.



﴿﴾
 
 
 



Todo artista é meio


























altista.







A perspectiva histórica é tanto débil
Quanto é dura a sua cabeça em riste
Se ela acredita piamente
Que fora escrita por homens
Enquanto as mulheres
Cosiam e cozinhavam
Ficaria louca
Ao saber, que, na bem da verdade
- embora, verdade verdade só exista na Arte -
As donas e as doninhas
Azucrinavam os tolos
Se faziam de putas, de burras e de songas
Para engendrar esta verdade mentira:
De que seus corpos eram apenas corpos
E sua mente, uma vasilha vazia
E assim costuraram o mundo
Para que o Homem entrasse no eixo
E construísse a verdadeira perspectiva
Que não é histórica, nem científica
Porque não tem foco, nem linguagem.



 ﴿﴾

﴿﴾






Eu câMbio,
mas
o
desligo!













﴿﴾



Gotas de sangue caem do Grande Cálice
Um sabor de culpa consentida
Vigor morto de uma glória em brindes de ser anunciada
Não mais dentes caninos devoram os brancos pescoços
Mas idéias tortas que se encaixam nas veias humanas
Em vias de putrefação
E sugam o sangue podre
Estalam a língua
E se prostram satisfeitas
Com as suas coisas fálicas
Já em ereção




﴿﴾


Para cada linguagem, uma verdade específica.
Portanto, discutir a verdade através da linguagem escrita
é discutir a linguagem DA verdade escrita.
....
...
...
...
...
Cada vez mais a linguagem visual
apresenta o seu outro tipo de DISCURSO, dizendo outras coisas... fal@ndo de outras FORMAS.
...
...
...
...
Pelo menos é o que eu vejo, pois tenho lido tão pouco ultimamente. Na verdade, acho que a linguagem visual não diz, só imagina... e contamina o verbo.











﴿﴾



A perspectiva histórica é tanto débil
Quanto é dura a sua cabeça em riste
Se ela acredita piamente
Que fora escrita por homens
Enquanto as mulheres
Cosiam e cozinhavam
Ficaria louca
Ao saber, que, na bem da verdade
- embora, verdade verdade só exista na Arte -
As donas e as doninhas
Azucrinavam os tolos
Se faziam de putas, de burras e de songas
Para engendrar esta verdade mentira:
De que seus corpos eram apenas corpos
E sua mente, uma vasilha vazia
E assim costuraram o mundo
Para que o Homem entrasse no eixo
E construísse a verdadeira perspectiva
Que não é histórica, nem científica
Porque não tem foco, nem linguagem.









﴿﴾






E quando percebeu que o Mal também era sagrado, escreveu sua primeira poesia na cela do cárcere”














o Bem-me-quer
e o Mal-também-me-quer 
o Bem-me-quer
e o Mal-também-me-quer 
o Bem-me-quer 
e o Mal-também-me-quer
o Bem-me-quer
e o Mal-também-me-quer 
.
.
.

E
A flor é de lótus
E tem mil pétalas 









Como é difícil manter-se fora do casulo!
Aonde estão as borboletas?
Pretensão a minha achar-me o único acasulado
Mas não sabia eu serem tantas as lagartas
A me batucarem a cabeça!
Digo ser eu a lagarta velha
Mas, loucas,
Elas, antes minhas colegas,
Jogam-me pedras
Por ser eu metida borboleta
De hoje em diante
Direi às burras
Que minhas asas são fantasias de carnaval
E que continuo sendo sempre
A sempre tonta lagarta
Assim poderei voar
Escondida
Na escuridão da lua cheia
Entre libélulas, joaninhas, vagalumes e louva-deuses!












Sublime seria
A Extrema Rendição
No encontro das Almas
Nos escombros da Multidão
Tão logo, a imagem surgisse
E as camadas do cosmos
Se abrissem
Suas bênçãos estendidas  virão
Espíritos da Luz,
Anjos, Arcanjos e
Pergaminhos da Escuridão
Vendados, Desvendados
Sublimes Verdades
do Arbítrio Divino
na Respiração








O silêncio
vivido
com olhos neutros
ou fechados
é a melhor maneira de travestir
a loucura de introspecção
e protegê-la
dos lábios ferinos da multidão.










"A poesia deve chegar lá onde a palavra quase explode."








ele (a): - Então é tudo mentira?
Ele (a): - Verdade!
ele (a): - E esta verdade agora?
Ele (a): - Mentira!
ele (a): - É tudo verdade ou mentira, afinal?
Ele (a): - No final é tudo começo!
ele (a): - Mas eu não perguntei isso!
Ele (a): - Verdade??
ele (a): - Verdade!!
Ele (a): - Mentira!




CANTO PRIMEIRO

Senhora das Portas
Arquetípica e Misteriosa 
A Vó, a Mãe e a Filha
Flor de Mandrágora, 
Som de Egrégora 
E grito de Górgona

Partenogênese Sagrada 
Efígie, Esfinge, 
Serpente Esfumaçada
Filósofa Nascida
Semente enterrada

Mater, de onde venho?
Pater, para onde vou?

Em busca de respostas
A velha varria o Tempo
A mulher dançava a Ave
A criança buscava o Círculo

Senhora das Janelas
Das escadas, das mazelas
Senhora de coração pulsante
Senhora dos Navegantes
Dos navios negreiros
Piratas e Veleiros

Senhora de todos os amores
De todos os colonizados 
E todos os colonizadores 

Senhora de todas as horas
Senhora de todas as artes 
Senhora de todas as glórias

Valdenir Gonçalves




Coragem de rasgar-se inteiro
E manter-se uno na multidão
Plantar-se de todo o corpo
- Semente em vias de despertar -
Num solo úmido e escuro
Entregar-se à dor do descascar da pele viva
E do brotar da nova derme
Perfurando o que ainda reluta
Em manter-se carne.

Valdenir Gonçalves

Como uma faísca
Como uma lasca de vento
Meu mergulho não é mais de albatroz
Agora enterro-me no mar
E enáguo-me na terra
Rasgo com o vértice feito por meu caduceu
Uma frincha nas ondas
Espiralada com a força de minhas fagulhas
E vou num voo aquático
E lá
Danço uma falsa valsa
Com os seres translúcidos
De luz azul

Valdenir Gonçalves





Senhor, fazei-me instrumento de vossa consciência.

Onde houver ódio, que eu leve a consciência do ódio;

Onde houver ofensa, que eu leve a consciência da ofensa;

Onde houver discórdia, que eu leve a consciência da discórdia;

Onde houver dúvida, que eu leve a consciência da dúvida;

Onde houver erro, que eu leve a consciência do erro;

Onde houver desespero, que eu leve a consciência do desespero;

Onde houver tristeza, que eu leve a consciência da tristeza;

Onde houver trevas, que eu leve a consciência das trevas;

Ó Mestre, fazei que eu procure mais

Entender a ação das forças em mim, que tentar controlá-las;

Compreender o que está dentro, para compreender o que está fora

Amar a mim mesmo para que possa ser amado

Pois é livrando-nos da culpa que perdoamos a nós mesmos

É morrendo em vida que se vive a eternidade.
 
 "Valdenir Gonçalves"




Antes eu não me cabia
Mal o mundo me enchia
E todos os meus líquidos e fluidos
Esparramavam-se fora de mim
Num transbordar de água
Desperdiçada
Achei que o meu total fosse o cheio,
E o que dele sobrasse
Fosse apenas o resto
Como se eu fosse uma conta matemática.
Resolvi virar a equação
De cabeça para baixo
E hoje meu excesso é parte
Irresistível do todo
E calculo meu mundo
ora com giz
ora num ábaco abandonado

Valdenir Gonçalves



Então ele me diz:
"- Me liga e a gente se encontra, e a gente se vê e a gente se come!",

Como se pensasse:
"- Ah, já que não consigo mais encontrar peixes apreciáveis e dignos de meu paladar refinado, resolvi mordiscar este gélido krill."

Então, respondo-lhe:
"- Não, obrigado, hoje à noite tenho um encontro com uma ostra dentro do ventre de uma baleia!"

Valdenir Gonçalves



Sou como se fosse um representante leigo e estúpido de Mim mesmo.
Represento-Me ao mundo como menino que desce na essência, olha irrequieto e impaciente para o rosto sem face de meu Eu.
E volta como um mergulhador sem escafandro que nem tempo teve de olhar o fundo do mar.
E se me perguntam qual a minha beleza, respondo que há cores belas, há distintas formas, há coisas que se mexem inquietas e reluzentes lá no fundo de Mim, porém não tenho ideia de Minhas tonalidades, não sei dos Meus ângulos, tampouco conheço a força que Me dá luz e movimento.

Valdenir Gonçalves

É claro que não tiveste sequer um vislumbre do quanto me tocaste.
Creio que me imaginavas um dândi antes de conhecer-me.
Ou talvez um ser mais profundo.
Compreendo a tua decepção ao encontrar-me menino, cheio de dúvidas e incertezas.
Compreendo a tua decepção ao encontrar-me senhor, cheio de seriedades e silêncios carrancudos.
Queria dizer-te o quanto o universo era paradoxal e o quanto os meus movimentos inquietos eram uma extensão de minha linguagem capenga.
Meu corpo, pequeno e ágil, era minha única poesia e enquanto passavas tua mão em minhas costas e enquanto minha cabeça descansava em tuas pernas, achei que era compreendido.
Foste embora, apesar de nunca teres chegado.
Recuso-me a acreditar que este você-pós seja o mesmo que me acolhera com os olhos e as mãos.
Este você-pós que me ignorou como se minha meninice fosse infantilidade,
como se minha velhice silenciosa fosse ignorância.
Farei de teu descaso o silêncio sábio que surge quando não há palavras a serem ditas.
Farei de teu esquecimento, o desapego dos esclarecidos.
E, assim, esqueço-me e desapego-me de ti.
És, agora, pó.
E tua profundidade tornou-se quimera.
E, enquanto te dispersas na atmosfera em inúmeras partículas,
Condenso-me em matéria pesada e afundo-me.

Valdenir Gonçalves