Para a Grande Rosa Masculina

Então achei tudo tão estranho. A gente entrou na casa esverdeada, toda colorida por dentro - e isto depois d'eu ter dado com o nariz de cara na porta, d'outra feita - e todos ficavam mais ou menos assim: te amando! Te olhavam e te amavam, te olhavam e te amavam... Assim, ahãm, assim mesmo! Estranho, né?!, neste mundo tão de sorriso falso e de olhacomosoumelhorquetu. Gozado, né?! Achei tão estranho o jeito dos olhos de querer bem deles.
Um deles até tinha uma coisa tão linda no olho, uma coisa assim tipo egípcio, tipo grego, tipo assim de traço exótico que vai além de minha ignorância arqueológica; hêia, hêia, hêia que a beleza era tanta e que de tanta beleza a gente olhava e até dava reflexo nos olhos. E se esse é janela, talvez caia luz em minhas gavetas trancadas. 
Depois até descobri que o bonito do olho do moço era inchaço do soco socado, acrescido de tombo caído. Nossa, pensei eu em minhas eternas caraminholas, se até de socozetombos te embelezas, imagina com os brincos, os colares, as cores e cocares dos xamãs, dos deuses, dos reis...
O outro tinha beleza que se vê de viés. A beleza do tipo espelhodelado. No começo se vê torto, sem foco... Depois, tchum, percebes os olhos de Águia. Coisa bela de se admirar escondido... Mas vez por outra ele me pegava olhando curioso e encantado, encanto de feitico mesmo. Eu olho, e olho no olho que olha outros olhos e analisa... Ahãm... Coisa linda este ser de pernas, colunas dóricas, jônicas, greco-romanas, coisa do passado, sabe, daquelas coisas que impressionam pela grandeza e soberba hercúleas.

Mas todos eles já moravam em colos de deusas... E eu só ficava na minha admiração quieta e esquivada, nibelungando o ouro dos seus corações.

Nibelungando Ouro