Agora estou pronto para ser devorado
Que me venham os amores
Que pululem em mim
Com seus olhos concupiscentes
Que desarticulem o meu corpo
De tal não-forma que me confunda
Com as Tuas divinas pernas
Agora sou só este buraco
Que se abre para fazer de mim infinito
Com meu grito
Levo minhas memórias digeridas
Até o centro de tuas múltiplas periferias
Alimento-te com o pouco de mim
E sugo-te:
Numa sucção voraz
Que me faz sentir não-ser
Com uma força tão brutal
Que me anestesia em silêncio
Penetrado pelo impenetrável.