À beira de tornar-me balzaquiana
Transformo-me em bode
E não me preocupo nem com o avançar da idade
Muito menos com o nascer das guampas
Nunca me pensei fáunico, nem fálico
Se um dia em devaneios loucos tivera pensado em chifres
Estes teriam sido ousados, altivos, robustos
Não estas guampas baixas e de porte mediano
E se tivesse pensado em acessórios cabeçais
Talvez tivesse quisto uma auréola cínica
Embora esteja sozinho no meio da mata
Contento-me com a caudarabo de peixe
Que nasce escamosa entre meus pelos e carrapichos
Que me torna híbrido e me incita ao mar
E quando penso que o extraordinário finda
Eis que recolho meu arco e flecha
E relincho!
Casa 12 ou Éter Esquartejado
Era uma casa
Muito fechada
Continha o Tudo,
Continha o Nada
Nem todo o mundo
Entrava, não
Porque era misteriosa
Como um vulcão
Se alguém
Entendeu a Rede
É porque na casa
Um dia esteve
E aquele que
Descobriu o π
Com certeza,
Já esteve ali
Mas era feita
De prata e ouro
Nela escondiam-se
Muitos tesouros
Mas era feita
De ferro e bronze
Na rua do Louco,
Número 12