Escrevo pelo exercício
pelo vício
pela autoimposição
Não por inspiração
Pois que
Só de vez em quando
Ela me visita
Se achega
Sorrateira
A danada

De resto
Escrevo pelo hábito
À procura da técnica
Disfarçando desinteresse
De modo que ela venha
Livre
Liberta de toda métrica
E de toda a poesia

Sigo solto
Sem pretensões
Espreitando
Às vezes sinto que ela se aproxima
E não chega a se expressar
Se faz presente
Pela sensação que vem em mim
Enquanto escrevo o que escrevo

É o sentido no corpo
O palimpsesto da escrita
E aí sigo relapso
Desconfiado
Protegido
Mas acordado
Na esperança que se faça dança
Que se delineie a linha

Que se aproxime o fluxo

Das escritas não-poéticas